Sinto saudades da presença diáfana das palavras que testemunhávamos sair das nossas bocas- naturais como a água que corre num conto de yourcenar, pés balançando sobre a água golpeada, em círculos ampliados pela pedra do protagonista de meckert - e dos cigarros que fumávamos (uma ponta na outra acesa) esquecidos ou desinteressados da vontade de sexo que nos mostrou o quarto, a cama, onde, por noites únicas várias, pagámos para nos encontrarmos na ausência do mundo, na ausência de nós.
Como éramos felizes então mútuos na mentira de dias decorrendo sob o auspício de uma luz fugitiva, roubada ao tempo, mas por mais arredio e escorregadio que seja o corpo do delito não escapa para sempre e enfim se cruza com o castigo que o persegue.
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