- Adoro o cheiro a terra molhada depois da chuva.
- Petricor, avô, petricor.
- O quê?
- O nome desse cheiro.
-Ah! Belo nome! A tua avó também adora.
- Adorava, avô. A avó já não está entre nós.
- Claro que está, rapaz, claro que está.
Basta enganar o presente das palavras ou pedir-lhes que se conjuguem sempre no tempo de agora para qualquer coisa que nos seja querida mereça a nossa estima viva para sempre.
O tempo da palavra é o tempo dos anjos, logo um ofício de imortalidade - há outros, como o amor, mas adiante. A imaginação criativa desembaraça-se de noções de finitude. Em linguagem tudo se faz real, qualquer ar é
cristalizável, até a eternidade, sobretudo a eternidade. Não se morre na palavra, mesmo que o digamos ou leiamos numa página.
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