1 de junho de 2026


 most of us are just drifting

 O silêncio sublima-se no próprio silêncio, magnificência.

Isto, também é deus. Não é instantâneo. Faz-se, cresce, invade, circula, circunda. Absorve.

Blindar os dias com música. Cada um, um por um.

Patrícia Baltazar

1 de maio de 2026


 

Petricor

 

- Adoro o cheiro a terra molhada depois da chuva.
- Petricor, avô, petricor.
- O quê?
- O nome desse cheiro.
-Ah! Belo nome! A tua avó também adora.
- Adorava, avô. A avó já não está entre nós.
- Claro que está, rapaz, claro que está.
Basta enganar o presente das palavras ou pedir-lhes que se conjuguem sempre no tempo de agora para qualquer coisa que nos seja querida mereça a nossa estima viva para sempre.
O tempo da palavra é o tempo dos anjos, logo um ofício de imortalidade - há outros, como o amor, mas adiante. A imaginação criativa desembaraça-se de noções de finitude. Em linguagem tudo se faz real, qualquer ar é
cristalizável, até a eternidade, sobretudo a eternidade. Não se morre na palavra, mesmo que o digamos ou leiamos numa página.