13 de abril de 2026
12 de abril de 2026
Terra Natal
Não preciso de voltar à terra natal
para confirmar que as frondosas árvores da infância ainda existem
Basta-me o verde da sua lembrança
As coisas todas são eternas
Se a força da imaginação tiver força
Tamanha
Tornando possível até uma outra vida
ou a mesma de sempre
17 de dezembro de 2025
17 de setembro de 2025
Quase Epifania
Aconteceu quando uma tia foi conduzida à cremação; na primeira e única vez em que vi, sem ver, um corpo a ser devorado pelas chamas.
Ali, banhado em lágrimas que também ardiam, a compaixão deixou-se fascinar pela mecânica mágica dos fornos e pelo poder do fogo em transmutar pele, carne e ossos em cinza — presenças sólidas que o tempo, depois, converte em ar e memória.
Senti que, no âmago da dor e da perda, o momento me segredava algo essencial, um segredo que sempre soube, um segredo partilhado contigo, amável leitor, desde o princípio e a morte da meninice: como, na pior das horas, preservamos uma curiosidade infantil ativa e uma esperança viva, indómita.
Ou talvez seja apenas um discurso placebo com que tentamos convencer-nos de uma verdade que nos escapa ou transcende.
Um artifício para retroceder dois ou três passos dos cumes do desespero — e, assim, sobreviver.
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