2 de novembro de 2018
20 de outubro de 2018
19 de outubro de 2018
Despossessão
Sob um céu cínzeo desapegado de si próprio,
minhas mãos estarão vazias e definitivas,
vultos juntar-se-ão ao vulto do corpo
na despedida fluida para a névoa contínua.
O amor tentará tocar-me uma última vez,
ficando com as mãos perladas de um suor
translúcido e no olhar o silêncio afastado
de uma barcaça que tremula.
No entanto, meus olhos falharão o ensaio dos
acenos, não se desprenderão da luz das imagens,
crentes no brilho da dúvida dos seus regressos
sem fim.
minhas mãos estarão vazias e definitivas,
vultos juntar-se-ão ao vulto do corpo
na despedida fluida para a névoa contínua.
O amor tentará tocar-me uma última vez,
ficando com as mãos perladas de um suor
translúcido e no olhar o silêncio afastado
de uma barcaça que tremula.
No entanto, meus olhos falharão o ensaio dos
acenos, não se desprenderão da luz das imagens,
crentes no brilho da dúvida dos seus regressos
sem fim.
11 de outubro de 2018
Palimpsesto
Tua morte raspa outra morte da superfície
que raspou a morte de anteontem
e tudo o que se lê é ausência.
Poema é um verbo que apaga um poema.
Não há outro verso senão silêncio, que é um homem
devorando-se a si mesmo.
Desde sempre, para sempre.
que raspou a morte de anteontem
e tudo o que se lê é ausência.
Poema é um verbo que apaga um poema.
Não há outro verso senão silêncio, que é um homem
devorando-se a si mesmo.
Desde sempre, para sempre.
14 de setembro de 2018
13 de setembro de 2018
Har Nevo
A nuvem em pausa que miro assemelha-se
à nuvem sobre o tabernáculo, borrão gráfico na página vazia.
Enigma simbólico, as sinapses relampejam como céus bíblicos.
Estranha potência, ente divino; há qualquer coisa ali,
pode haver, tem de haver, senão o que fazemos com a vida?
Que promessa nos está reservada ou nos foi negada
além do monte do que vemos?
A letra mata.
Onde se encontra o espírito que a vivifica?
Faz um silêncio terrível, contínuo.
Homens parados. Tapamos os ouvidos.
Piedosos, os animais fitam-nos.
Todo o poema é impossível.
à nuvem sobre o tabernáculo, borrão gráfico na página vazia.
Enigma simbólico, as sinapses relampejam como céus bíblicos.
Estranha potência, ente divino; há qualquer coisa ali,
pode haver, tem de haver, senão o que fazemos com a vida?
Que promessa nos está reservada ou nos foi negada
além do monte do que vemos?
A letra mata.
Onde se encontra o espírito que a vivifica?
Faz um silêncio terrível, contínuo.
Homens parados. Tapamos os ouvidos.
Piedosos, os animais fitam-nos.
Todo o poema é impossível.
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