18 de abril de 2025

Teoria da Árvore

Quando eras pequeno, cultivavas o hábito de me exigires que te levantasse do chão e pusesse a tua infância às cavalitas. Fingias ser a copa de uma frondosa árvore andante. Hoje alta, volumosa e inteira árvore de direito próprio, como a que fui para ti , não podendo arrancar-te pela raiz, abraço-te. Aperto-te no meu frágil vigor. Entre o peso do tempo e a leveza do instante, a febre da vontade e a resignação do possível. Dois sonhos, palavras de uma mesma linguagem. Ambos insustentáveis. Por distintos motivos.

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