Sem calma, mas com muita apatia, dizemos : parece mesmo o fim ou o princípio do nosso mundo. Para as outras espécies, é só mais um dia, seguindo os evangelhos da sobrevivência, tanto nas vastidões vazias ou campos luxuriantes do Génesis, quando o tempo não era conceito, como nas areias aprisionadas da ampulheta do Apocalipse, nesta época húbrica em que cremos pôr e dispor do espaço-tempo, torcer ou obliterar o continuum. Do lugar do meio que nos cumpriu ocupar, podemos quer afastar, quer aproximar presente e futuro, mesmo que não saibamos tão-pouco deslocar um mínimo de ar, mas a nossa capacidade de autoilusão é tal que designamos esta vida um sonho (ainda mais ingenuamente: dentro de um sonho) e nós os seus comandantes à deriva no simulacro de hiperespaço dos nossos delírios.
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