4 de maio de 2025

Luz de Fundo

Chamaram-me por um nome

que quase reconheci.

Acaso tenha sido o meu,

ou de alguém que fui

quando ainda cria nas molduras

pendidas pela casa que as paredes ouviam.


É difícil destrinçar

o que cai

e o que dou ao extermínio.

Talvez palavras arcanas

se desfaçam nas sombras deléveis

de um arquivo morto-vivo

a que não se acede nem pelo esforço retrospectivo.

Alguém me amou, creio,

ou foi mais uma ficcionalização de uma coxa imagística — a mente a projectar afectos

sobre o silêncio de um ecrã suspenso.

Não há mais dms ou sms,

nem o eco de um gesto que pressupõe a voz dos vínculos.

Apenas um vazio onde tudo se esparge

E o corpo?

Desaparece nas conexões invisíveis,

como uma ignorada notificação.

É o fragmento perdido na sombra de um átono sentido.

Talvez não mereça o ónus límbico,

Mas é assim que a impossibilidade do poema termina



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