Ainda pratico esta oração obstinada
de conversar com os meus mortos
ou com a pátina das estátuas viventes
cegando-se e emudecendo-se sabiamente
umas às outras por se acharem quase de abalada para os confins do inominável
mas já não sei já não sei se o indizível o insofrível
que em cópia leio escorrente dos olhos dos poetas
é silêncio sanguíneo de embuste ou milagre
para sem resposta para a identidade do eco do grito
que se ouve por trás do horizonte limpo
das nossas inquirições ,
morrer não seja só isso.
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