10 de setembro de 2018

Viver é como aprender a fazer ressaltar um seixo à beira-mar. Tarde de areal, a sombra do pai lançada pedagogicamente para a frente do teu corpo sem o trespassar ou perturbar. Atrás de si, a decaída luz do dia quase lhe desenhando asas de guarda rompendo das omoplatas quando regressa cintilando de água e cristal com a pedra eleita e certeira que te fará ir mais longe na trajectória ansiosa de distância. Os olhos brilhando ante teu esmero e foco face a cada ensaio menos falhado, pois é essa a suma e a soma: melhorar o fracasso ou reformulá-lo. Dar-lhe outro nome para não nos escorarmos no frio desse silêncio, sem que nos possamos evadir dessa essência, nossa essência, como a rosa ou o amor, um novo reflexo no espelho da morte, o medo é o medo é o medo.

Sem comentários: