Senta-te, isto não é a propósito da morte. Pede um café e um pouco de ausência. Acomoda a coluna, respira fundo. A morte não vem ao caso. Mas, sabes, o luxo dos anos arrasta-se pelo lodo dos quases e dos nuncas. Tenho cada vez menos que dizer, todavia, sirvo-me do máximo de palavras para alcançar esse quase silêncio. Já só as cãs cantam, quebradiças, penosas, numa voz puxada até ao limite quando a mesma começa a emudecer. Próxima a mordaça da ameaça, a um susto de acontecer. Um dia amei, amei verdadeiramente, mas depois veio o tempo. Custoso longo exercício o das palavras projectadas em voo querendo ser ouvidas em forma de poema, talento de silêncio, rugindo do que não há como a eternidade, contido ou pressentido incêndio. A angústia regressa como um corpo após a morte do corpo. Mas não lhe chamemos alma. Os olhos abrem com a lentidão enredada de luz confusa e pássaros orvalhados. É ainda Verão no equívoco do coração. O corpo da escrita levanta-se com um peso cansado: o fracasso das estrofes, todos os mortos das noites anteriores. Diz o silêncio: o meu nome é legião. Chegam versos, novos soldados suicidam-se em eterno ciclo de combate e desaire. Entretanto, a erva cresceu como um presságio equilibrando a bamba mesa pé-de-galo ao centro da esplanada, onde, sentados, não se falou do que tu estás a pensar.
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