12 de junho de 2017

Tanatopraxia

Somos ficções legatárias de ficções outras
- a vida é sonho (ou morte)-
mas pródigos do nosso desprezo filial, enjeitamos
a mãe do Passado, orgulhosos dos nossos erros
ou da liberdade conquistada para os cometermos
inchando o peito e agitando as asas nupciais
seduzindo o caos para a dança, que é como
quem diz, esbanjando o corpo ou preparando-o
para um silêncio ignoto, fruto próprio de
árvore de um outro mundo, que nossos dedos
oraculares lêem e procuram traduzir por aproximações
diligentes ou profecias muitíssimo optimistas. 

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